Neurofisiologia
March 3, 2025
Tempo de Leitura:
3 min.

Como o cérebro funciona? Da pele a sensibilidade consciente

Autor: Dr. Fabrício Kleber

Como o cérebro funciona? Da pele a sensibilidade consciente

Foto por William Randles no Unsplash

A sensibilidade é uma função cerebral fundamental e que é capaz de trazer cor para a nossa experiência e interação com o meio que nos rodeia. No entanto, a sensibilidade humana extremamente complexa e detalhada foi uma conquista evolutiva importante pois nos permite agir e reagir aos estímulos do meio ambiente. Desta forma nossos ancestrais puderam perceber de forma mais acurada e precoce quando perigos estavam a sua frente. Mas afinal como o nosso Cérebro consegue receber e interpretar a informação sensitiva?

Assim como as demais funções cerebrais superiores a interpretação da informação sensitiva ocorre no Córtex Cerebral, mais especificamente no Córtex Sensitivo Primário localizado no Lobo Parietal. Toda a informação sensitiva converge para o Córtex Sensitivo onde esta informação é analisada e então transmitida para outros locais do Cérebro com o objetivo de otimizar e regular a nossa reação frente aos perigos e obstáculos presentes ao nosso redor.

No entanto, diferentemente do estímulo motor a informação na vai ser originada no Córtex e sim nos receptores sensitivos na periferia do nosso corpo. Desta forma, a raciocínio na via sensitiva deve possuir uma direção oposta da motora, onde o estímulo parte da periferia para no final atingir o Córtex Sensitivo.

Mas como podemos responder a tantos tipos diferentes de sensibilidade tais como: dor, temperatura, pressão, toque fino, toque grosseiro e propriocepção? O segredo está no receptor presente na nossa pele ou outros órgãos. Para simplificar vamos analisar apenas os receptores na pele. Cada receptor possui um formato específico que lhe permite ser sensível, ou responder, a um determinado tipo de sensibilidade e não a outros. Assim, nos temos uma grande capacidade para reconhecer diferentes modalidades de sensibilidade porque temos vários tipos diferentes de receptores. Temos um receptor que é sensível a dor, outros a pressão, outros a vibração, etc.

O estímulo mecânico sobre a pele gera uma mudança na forma destes receptores. A modificação da forma do receptor causa um estímulo na fibra nervosa presente dentro do receptor. Este estímulo agora consegue percorrer o nervo periférico até a Medula Espinhal. Na Medula Espinhal diferentes tipos de sensibilidade possuem diferentes percursos, mas, em geral, todas as modalidades vão percorrer e Medula Espinhal até entrar no Cérebro e então vão estabelecer uma conexão com um grande núcleo chamado de Tálamo. Do Tálamo a informação sensitiva é transmitida para o Córtex Sensitivo Primário. Após a chegada deste estímulo no Córtex podemos ter consciência do que estamos sentindo e agregar significado a tal experiência.

Mas todo o estímulo sensitivo é consciente? Não, existem alguns tipos de sensibilidade que são analisadas de forma não consciente, pelo menos em um primeiro momento. Por exemplo, quando colocamos a mão em um local quente por acidente e queimamos a mão o que ocorre? Retiramos a mão do local fervendo antes ou depois de termos a consciência do que está acontecendo? Na verdade, este tipo de informação dolorosa carrega uma importância evolutiva pois pode significar a diferença entre uma queimadura pequena ou uma grande queimadura com risco para o indivíduo. Por este motivo, este tipo de estímulo doloroso já começa a ser interpretado na Medula Espinhal, antes mesmo de se tornar consciente. Desta forma, podemos iniciar o movimento reflexo de retirada da mão do local fervendo e somente após alguns milissegundos vamos ser capazes de entender e ter consciência do que estava ocorrendo. Existe vários reflexos que ocorrer já ao nível da Medula Espinhal e eles nos ajudam a reagir de forma mais rápida e ágil aos estímulos do meio ambiente.

Autor:
Dr. Fabrício Kleber

Publicado originalmente em 2019 na plataforma Vitalogy.